sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Amanhecidos

Os homens do coração amanhecido
Emanam uma luz do peito
E por ela se deixam guiar
Os seus passos são constantes
Mesmo assim, caem
Mas quando caem, se levantam
Em algumas ocasiões são maltrapilhos;
Em outras, usam gravata.
Enfrentam filas de ônibus
Ou andam de carro.
Os homens do coração amanhecido
São calmos e não elevam a voz:
Mais escutam do que falam.
E agem, anônimos.
Às vezes,
Pedem com os olhos.
Outras vezes,
Sonham
E amam.
Sobretudo, amam.
Os homens do coração amanhecido
Andam pelas ruas
Mas ninguém os vê.
(Bezerra, 1999)

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