As tardes amareladas do fim do dia da minha infancia tao campestre, tao urbana, tao criança... Assisti bois, cavalos e pessoas da porteira, vendo meu avo sentado no tronco de madeira e conversando e tomando café. Um caboclo de chapeu e calças curtas.Podia eu sentir o vento puro e verde deslizando pelo meu rosto e meus cabelos dançavam a ele. As pessoas eram azuis e o tempo era branco e natural. Correr era voar, falar era cantar. Fui feliz ao som de passaros, rios, sapos coachando, o mar se agitando, os carros correndo...
Se essa rua fosse minha, cantavamos eu ,mamae e meu irmao, solitarios, lutadores, vivendo e crescendo.
Varri meus pensamentos para clarear os momentos, lembrei-me das flores que plantei, não as varri de minha vida. E preciso varrer as dores, a maldade e a peversao dos homens,mas não as flores,nao o organico de nossa vida, não o bicho que esta na flor do jardim.
Me imagino voltando aqueles rios, aquela porteira, aos lugares em que cresci... aos cantinhos, banquinhos, bares, praças, cidades, praias em que namorei... voltar naquelas gramas e asfaltos onde brinquei e ri dos machucados da infancia (eternos!)
Hj sei que esses lugares me reluziram pureza, e hj estao doentes, nem as flores resistem, este mundo cruel, selvagem e violento, onde o belo ainda resiste. E preciso não curvar a dignidade.
Façam das flores e plantas seus tapetes e seu chao, e o ceu azul o seu teto. Plante, colha, ame os animais e sintam a força do amor e o cheiro acucarado da vida... e tome meu beijo como sinal de amor e liberdade...
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